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24/07/2005 10:39
INVESTIMENTO SEGURO: CAPACITAÇÃO DE PROFESSORES EM TEMPOS DE TECNOLOGIA DIGITAL
MÁRCIA Mª CONCEIÇÃO ANJOS PINTO
Universidade Federal da Bahia. Brasil
Pleno século XXI e só se ouve falar em Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Estão por toda parte. “Elas vão desde a escrita, que foi a primeira forma de comunicação a distância, que chegou ao livro impresso, seguido do cinema, rádio, televisão, telefone, etc. A disposição e transmissão de dados por cabos e satélites de comunicação de imagens, textos. E há a promessa de TV digital”. (Rondelli, 2003 ) Surge a necessidade dos professores imcorporarem e interagirem com as novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) em vista da nova modalidade de Educação ,que é a Educação a Distância (EAD).
PALAVRAS – CHAVE: tecnologias de informação e comunicação, educação à distância.
At XXI century people hear to speak Information and Comunication Tecnologys (ICT). It is all place. “ It goes since the written, the first form distance communication, then arrived printed book, following cinemagraph, radio, tv, tephone, etc. The disposition and transmition of informations for cape and satellites of images of communication, texts. There is a digital TV promise”. (Rondelli, 2003 ) Spring the necessity teachers incorporate and interact with Information and Comunication Tecnologys (ICTs) for the new education modality Distance Education (DE).
KEY WORDS: Information and Comunication Tecnologys, Distance Education.
A Sociedade, que no passado era pouco exigente com a atuação dos indivíduos junto às suas mudanças, agora cobra de todos os seus membros habilidade com as novas tecnologias que a invade e transforma as relações entre as pessoas e entre estas e o meio em que vivem, incluindo as relações com o mercado de trabalho.
Aretio (2001 apud Silva, 2003) destaca que assim como outras tecnologias como a imprensa, telefone, rádio, cinema e televisão causaram autênticas revoluções quando surgiram, as novas tecnologias possuem maior impacto devido às “... suas características de globalização, rapidez e capacidade de crescimento”
“O desenvolvimento de novas tecnologias de informação e comunicação tem sido,no decorrer dos anos, um agente relevante de aprendizagem que conduz à exposição de oportunidades de combinação de recursos tecnológicos e humanos. A Educação a Distância, portanto, decorre da necessidade de novas propostas de estudo, onde o aluno não tem uma delimitação geográfica e nem uma sala de aula presencial para buscar sua qualificação”. (Mehlecke & Tabrouco, 2003)
Os professores são os profissionais encarregados de auxiliar os educandos no processo da busca do saber. Esta não é uma tarefa fácil, pois envolve leitura constante, escrita constante, posicionamento crítico, paciência, sede de descobertas e disponibilidade para aprender a lidar com o desconhecido. As TICs têm exercido o papel do desconhecido para a maioria dos professores, que não estão habituados a usar com desenvoltura essas TICs.
A sociedade em que vivemos está deixando de ser prioritariamente industrial para se tornar uma sociedade do conhecimento, e a Educação a Distância (EAD) possui importantes funções. Para Behar (s/d apud SILVA, 2003), dentre as funções da EAD estão a garantia de atualização de informações e desenvolvimento de novos talentos em todas as áreas; auxiliar o desenvolvimento de novas habilidades para uma mesma profissão cujas atividades variam e se transformam rapidamente e desenvolver competências que possibilitem mudanças de profissão.
A EAD faz com que o professor seja obrigado a elaborar e executar tarefas mais interativas entre os envolvidos no processo ensino- aprendizagem a fim de motivar as aulas, aumentar o interesse pelo conteúdo e reduzir a distância física entre professor e alunos. Esse exercício fará dele um generalista. Além disso, sua prática de ensino será menos vertical. Em compensação,uma ampla cultura geral e tecnológica será exigida. Isso porque o aluno on-line tem um perfil diferenciado do aluno do curso presencial, pois pode exercer outras atividades que dificultem o acompanhamento de um curso com pré-definição de horário de aula; estar distante geograficamente da escola; precisar se atualizar e/ ou possuir formação para obter ascensão profissional; estar buscando o conhecimento e ser autodidata. Por conta de todos os fatores mencionados para melhoria de processo ensino- aprendizagem a aluno deve ser capaz de administrar seu tempo, atendendo as propostas e tarefas solicitadas pelo professor, além de não ficar restrito ao conteúdo disponibilizado pelo professor. Isto quer dizer que as pesquisas por conta própria devem ocorrer constantemente.
BUSCA PELA CAPACITAÇÃO
Em meio as mudanças mais profundas e recentes com o advento do computador, fax, Internet, biotecnologia, está o professor de ensino fundamental e médio do ensino público, perdido num tempo passado, onde nada disso havia, e rodeado de educandos envolvidos no presente e futuro de modificações. Modificações estas, tão rápidas que, às vezes, quando se aprende uma determinada tecnologia, ela tornou-se ultrapassada e já tem uma “irmã” mais nova despontando no mercado.
Em tempos onde a comunicação usa o computador como “porta- voz” , o professor carece ser incluído na era digital. Há a urgente necessidade de implantação de medidas que viabilizem a alfabetização digital da população. É importante ressaltar que algumas providências foram tomadas, mas ainda não são suficientes para promover a inclusão digital de educadores e outros segmentos da sociedade.
A meta prevista pelo Programa Sociedade da Informação no Brasil era de que um a cada cinco brasileiros atinjisse um nível de alfabetização digital mínimo até 2003. BONILLA ( 2002)
A princípio surgiu a idéia de fornecer nas escolas cursos básicos de informática. Era uma boa proposta, mas não atendeu às expectativas por conta dos cursos serem ministrados em pouco tempo e com curta carga- horária.
A segunda tentativa veio a partir de doação e instalação de computadores em escolas da rede pública de ensino. Também não obteve total sucesso porque nem todas as escolas foram atendidas e a quantidade de computadores foi insuficiente para atender a demanda de alunos e professores. Além disso, o custeamento da Internet ocorre por conta da unidade escolar, o que restringiu o uso e conseqüentemente o aprendizado dos interessados, por conta das escolas não poderem arcar com a alta despesa dessa tecnologia.
A terceira tentativa foi recentemente lançada por governos estaduais e federais. É a criação e instalação de infocentros em várias cidades. Nesses infocentros os membros da comunidade local podem aprender a lidar com os programas básicos referentes à confecção de textos, tabelas, quadros, e podem também aprender e treinar usar a Internet como ambiente de pesquisa e comunicação.
A quarta tentativa foi o desenvolvimento do computador popular com usos de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações ( FUST). BONILLA ( 2002)
A partir do momento que surgem os alfabetizados digitais, o professor também deve ser um deles e deve apropriar-se das novas tecnologias para tornar suas aulas atrativas aos olhos de seu alunado. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) devem ser ferramentas para a reflexão e desenvolvimento do intelecto.
Com a criação de infocentros em escolas , bibliotecas , hospitais e bairros, com o apoio do FUST estará se concretizando a primeira parte do Programa Sociedade da Informação no Brasil, que se referia a dar infra-estrutura para a inclusão digital, mas a segunda parte, que visa fazer do usuário dessa nova tecnologia um consumidor. BONILLA ( 2002)
Interessa à Sociedade que os seus membros, incluindo os professores, sejam mais que consumidores. Interessa que sejam produtores de conhecimento, bem como usuários e prestadores dos serviços através dessa tecnologia. Dessa maneira, o treinamento dos professores – alunos poderia ter uma duração maior e de forma mais aprofundada. Assim poderiam executar tarefas como digitação de textos, pesquisar temas que possam melhorar o seu desempenho e do aluno, construir páginas que falem de seus interesses, usar o correio eletrônico. É notório que o aprendizado é aperfeiçoado juntamente com a prática.
Há no entanto, um problema de ordem sócio- econômica que atrapalha o desnvolvimento dos professores. Com baixa renda, esses profissionais têm que trabalhar de 40 a 60 horas semanais para obter um maior poder aquisitivo. Porém, essa renda é gasta em necessidades básicas, educação dos filhos, moradia e pouco ou nada resta para o próprio profissional investir em si mesmo e em sua carreira.
Existe porém, necessidade de investimento em lazer, cultura e capacitação profissional, pois isso faz com que a disposição das pessoas aumente. Cabe ao poder Legislativo a tarefa de elaborar políticas públicas que dêem condições de melhoria e atualização aos professores. O primeiro passo seria a redução de carga - horária em sala de aula para que o educador tenha tempo de estudar, se familiarizar com a era digital e pesquisar formas de melhorar sua pedagogia.
O segundo passo, seria conferir melhores salários aos educadores a fim de que estes possam comprar seus próprios computadores e neles treinar todo o aprendizado que tem nos cursos de informática oferecidos em suas escolas e infocentros de seu bairro.
Posteriormente, o investimento em programas de capacitação de professores, mesmo que estes não sejam da área de informática, para que tenham desenvoltura ao buscar associar temas pedagógicos às novas tecnologias.
A viabilização de Internet em rede, via cabo se for o caso de redução de custos, nos infocentros , deve se dá para que os usuários não se detenham apenas aos programas básicos do Windons enacarregados de confeccionar textos, tabelas e pequenos desenhos.
O professor, bem como a população precisa acompanhar as misturas culturais, as informações noticiadas pelos diversos meios de comunicação, as mudanças no mercado de trabalho e as novas exigências de competência para ser um bom profissional no mercado de trabalho.
ANEXO
Lista de iniciativas inovadoras na educação continuada
PROFAE. O programa de Profissionalização de Auxiliares de Enfermagem, inclui a formação pedagógica de enfermeiras, sob a coordenação do Departamento de Educação a Distância da Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz, e cooperação técnica da UNESCO. Essa formação é baseada em material impresso e fitas de vídeo, mas a Internet e um telefone 0800 têm sido utilizados em apoio a turores e estudantes.
REFORSUS. Acordo de cooperação técnica entre a UNESCO e o Ministério da Saúde propiciou o desenvolvimento de tres cursos de aperfeiçoamento de gestores do setor de saúde, na modalidade à distância: Saúde Ambiental e Gestão de Rejeitos Hospitalares, Gestão da Manutenção de Hospitais e de Equipamentos Hospitalares, Gestão Hospitalar para Administradores de Pequenas e Médias Unidades de Saúde.
Telecongressos Internacionais. Uma iniciativa do Serviço Nacional das Indústrias - SESI, em colaboração com a Universidade de Brasília e a UNESCO, realiza-se desde o ano de 2000. Utiliza uma das mais avançadas infra-estruturas de videoconferência via satélite em circuito privado instaladas no Brasil, a infovia CNI. A recepção do telecongresso atinge mais de 222 pontos, sendo mais de 20 externos à infovia CNI.
UniPREV. O desenvolvimento da Universidade Corporativa da Previdência foi propiciado pelo acordo de cooperação técnica entre a UNESCO e o Instituto Nacional de Previdência Social - INSS. A UniPrev oferece oportunidades de aperfeiçoamento continuado aos servidores que desejarem reforçar ou desenvolver seus conhecimentos de caráter geral e técnico, por meio de vários cursos baseados na web e disponíveis na intranet do INSS.
Curso "Qualidade na Educação Básica". A Organização dos Estados Americanos, em cooperação com a UNESCO, oferece a diretores e professores de escolas públicas do ensino fundamental no Brasil a possibilidade de beneficiar-se do curso inteiramente online, oferecido pelo Portal Educacional das Américas.
Criação de aplicações inovadoras
RIVED. O apoio da UNESCO tem sido instrumental para a constituição da Rede Internacional Virtual de Educação a Distância para o aprendizado de matemática e Ciências. Esse projeto de cooperação internacional na América Latina envolve recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento e dos governos do Brasil, Venezuela, Colômbia, Argentina e Peru. O projeto inclui o planejamento de atividades didáticas, a produção de material instrucional multimídia, o treinamento dos participantes e a constituição de uma rede para distribuição de informação e avaliação da aprendizagem. Os produtos de aprendizagem multimídia permitem grande flexibilidade, permitingo aos professores utilizarem uma "biblioteca" de objetos de aprendizagem.
TV-Escola Digital e Interativa. Um acordo de cooperação técnica entre o Ministério da Educação e a UNESCO promove a capacitação a distância de professores do ensino básico, integrando conteúdo educacional em audio, vídeo e dados por meio da TV-Escola Digital e Interativa.
CONCLUSÃO
As novas TICs ,ao adentrarem na Sociedade contribuem para a socialização do saber via EAD, lança um desafio aos profissionais da Educação_ se atualizarem e repensarem suas metodologias pedagógicas a fim de promover construção de novos conhecimentos.
A viabilidade da inclusão digital geraria aumento na produção de cultura, conhecimento e poderia ocasionar maior rendimento profissional.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
• ARETIO, L. G. Formación a distancia para el nuevo milenio. ¿Cambios radicales o de procedimiento?, 2001.Em: http://www.virtual-educa.net/html/princip6.htm. Acesso em 07/2005.
• BEHAR, P. A. As novas tecnologias da informática e das comunicações e o novo modelo educacional Disponível em: http://www.nuted.edu.ufrgs.br/biblioteca/public_html/4/20/index.html. Acesso em 07/2005. (s/d)
• BONILLA, M. H. Inclusão digital e formação dos professores. Revista da Educação, vol.XI, nº 1, p. 43- 50, 2002
• GIORDAN, M., STAROBINAS, L. e SCHWARTZ, G. Inclusão digital e reforma universitária. Disponível em: 〈 http://www.cidade.usp.br/educar〉
• MEHLECKE, Q. T. C., TAROUCO, L. M. R. Ambientes de suporte para a educação a distância: a mediação para aprendizagem cooperativa. In: CINTED-UFRGS Novas tecnologias na educação, fevereiro, 2003. Em: http://www.cinted.ufrgs.br/renote/fev2003/artigos/querte_ambientes.pdf Acesso em 07/2005.
• PRETTO, N. & BONILLA, M. H. Sociedade da informação: Democratizar o quê? Jornal do Brasil. Rio de Janeiro, 22 de fev. 2001. Seção Internet.
• Tecnologia e Novas educações. Projeto Irecê e projeto Salvador, integrantes do programa de formação de professores da FACED/ UFBA. CURSO DE Extensão Ensinar & Aprender: caminhos metológicos e mapas de navegações, oferecido em 2000, aos professores do CEFET-BA.
• RONDELLI, E. Educação e tecnologias de informação e comunicação. Disponível em:
〈http://www.icoletiva.com.br/〉
• SILVA. S. Tecnologias de informação e comunicação e a EAD. Disponível em:
http://www. cefetsp.br/Edu/sinergia/
enviada por marianina
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